Correr descalço, tênis e boa forma

Ontem, fiz um post sobre o que considero como regras fundamentais para se correr bem, com riscos minimizados de lesões.

A escolha de um tênis, claro, faz parte do processo. Mas, ao contrário do que se costuma pregar, nenhuma das dicas tradicionais funcionou muito bem pra mim. Ir em lojas especializadas, testar pisadas, mergulhar no conceito de pronagem, escolher algum tênis que compensasse as deficiências do pace e do pé, enfim. Nada resolveu.

Para mim, a gota d’água acabou vindo quando gastei quase R$ 800 em um tênis ultra amortecido e (teoricamente) ideal para os meus pés que, depois de 10km, fez os meus joelhos saltarem de dor. Aí cheguei a uma conclusão que, hoje, me parece bem óbvia: dor não pode ser natural.

Se o ser humano corre há dezenas de milhares de anos, então certamente não seria possível uma “contra-evolução” em uma ou duas décadas. A culpa não podia ser do pé e a solução, certamente, não estava em uma marca ou modelo de tênis. Assim, comecei a ler bastante sobre forma.

Li o (já quase clichê) livro Nascido para Correr, de Chris McDougall , onde me deparei com o próprio conceito de barefoot running. Li artigos e posts de verdadeiros xaropes desse movimento, como Barefoot Ken. Li artigos científicos diversos (uns, inclusive, altamente questionáveis pelos métodos, e outros, como os de Daniel Lieberman). Li de tudo.

E, depois de muita leitura e de testar os conceitos pessoalmente, chegue a 3 conclusões:

1) Tênis de corrida realmente não salva vidas. Ao contrário, quanto mais amortecido e acolchoado, mais eles tendem a “compensar” falhas que poderiam ser corrigidas de forma natural. Sem toda essa tecnologia, a própria pisada se adapta, a forma se corrige mais facilmente e correr passa de desafio ao corpo para prazer. Simples assim. Atenção especialmente ao drop do tênis: quanto mais alto for a região do calcanhar no tênis, mais se tenderá a tocar o solo com o calcanhar – e mais se massacrará joelhos e articulações que não foram feitas para lidar com tanto impacto.

2) Correr descalço não é higiênico. Não estou falando aqui de cacos de vidro ou coisas assim, mas do simples ato de se correr, sem tênis, pelas ruas (no mínimo) sujas de grandes cidades como São Paulo. Me perdoem os puristas, mas correr descalço é bem nojento. A alternativa? Buscar tênis que simulem isso ao máximo, agindo quase que como uma sola simples para separar pele de chão e com drop zero. No começo, fui com um Vibram FiveFingers – um tênis que separa os dedos e que realmente dá a sensação de correr descalço. Até hoje, foi dos melhores que já usei e recomendo a todos. Mas ele tem um problema: é tão feio e esquisito que todos, absolutamente todos, ficam olhando para você como se fosse um alienígena. Aí troquei por um Merrell Barefoot, com os mesmos princípios (e inclusive sola feita pela Vibram) mas sem a divisão dos dedos. Com a vantagem adicional de ter um cabedal (parte da frente) bem espaçoso, ele acaba sendo perfeito.

3) Considere um período de transição. Tirar um super tênis mega amortecido e colocar um de estilo barefoot como Vibram ou Merrell exige alguma adaptação. Afinal, músculos que você nem sabia que tinha (principalmente na panturrilha e no topo do pé) começam a trabalhar como nunca antes – e as dores são inevitáveis. O ideal é pegar leve, considerando uma transição de estilo gradual que dure três ou mais meses. Não foi exatamente o que fiz: minha primeira corrida com o FiveFingers foi de 15km e eu quase estourei a perna – mas aí entendi que era preciso dar tempo ao tempo. E funcionou. Hoje, considero essa escolha uma das mais importantes de todo o meu processo como corredor.

Vibram FiveFingers

Merrell Barefoot

Um comentário em “Correr descalço, tênis e boa forma

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  1. Gostei muito das informações, e essa coisa de que correr com tênis minimalista a longo prazo nos darão problemas futuros em joelhos e colunas, não fazem sentido mesmo, já
    possuímos curvaturas em nosso corpo que já fazem a absorção de impactos, e que tênis na verdade é apenas estética, tenho tênis que paguei muito caro pela tecnologia, confesso fiquei desapontado, era para ser durável, acabou que a sola dele se desfez e comprometeu a qualidade ainda mais da promessa de absorção de impactos, hoje corro com tenis bem mais simples, mais baixos, pois quero correr com estes os quais foram comentados a cima.

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