Por que corremos a Comrades?

Desde que realmente decidi correr a Comrades, em outubro do ano passado, tive como grande inimiga uma agenda de viagens absolutamente conturbada.

Em geral, viajo pelo menos uma vez por semana – e sempre acabo sabendo em cima da hora, prejudicando planos e forçando ajustes em planilhas. Mesmo agora, escrevo este post de dentro de um avião ao voltar para Sampa – já com uma viagem para os EUA marcada para amanhã à noite.

E uma coisa é ajustar planilhas para provas de 10K; outra é fazer isso para uma ultramaratona como Comrades, que inclui semanas com rodagens de 80, 90 ou mesmo 100K.

Mas, em todo esse processo, acabamos aprendendo que há jeito para tudo. Se a viagem aparece pela manhã, corre-se à noite; se for um bate-e-volta, troca-se um dia por outro, antecipando ou adiando o descanso; se for impossível manter o longão do sábado; quebra-se ele em 3 back 2 back mais intensos.

Quando se tem uma meta, um objetivo claro, a mente aprende a ter calma e a contornar situações problemáticas, revertendo-as a favor da normalidade. Aliás, esses ajustes podem até funcionar como motivação extra.

Aprender a lidar com imprevistos de maneira calma, consciente e buscando remediá-los, afinal, é também parte do treinamento para qualquer ultramaratona. Ou alguém tem dúvida de que muitos muros aparecerão ao longo dos 89K, piorados por sedutoras tendas de massagem no caminho e por morros que parecerão uma sequência de Everests?

Hoje acabei chegando a uma resposta bem clara para uma pergunta que tenho ouvido bastante: “para que cruzar o oceano e correr uma ultramaratona?”

Não corremos a Comrades para cruzar uma linha de chegada; corremos a Comrades para aprender a mágica de fazer o corpo se submeter à mente em qualquer situação – incluindo cruzar uma linha de chegada que fica a 89 Km da de largada.

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2 comentários sobre “Por que corremos a Comrades?

  1. Ricardo,

    Como sabe, estou indo pela terceira oportunidade e, ainda não consegui reunir argumentos para responder ao questionamento da postagem. A lenda “Dean Karnazes” já alertou quem corre sobre essa não compreensão das pessoas que não correm. Ele diz: “Para a maioria das pessoas que não são corredoras, correr é, na melhor das hipóteses, uma chatice, e na pior, uma coisa terrivelmente dolorosa e sem sentido.” Nesse exato momento estou me preparando para mais uma rodagem de 24 Km, todavia, antes de sair, resolvi comentar o seu texto. Ultra abraço e bons treinos!!!

    Dionísio Silvestre
    http://correrpurapaixao.blogspot.com.br/

    • Ta aí uma verdade, Dionísio. Eu sempre evito falar de corrida com quem não curte as ruas mas, quando acabo respondendo alguma pergunta sobre minha quilometragem semanal sempre ouço coisas que variam de “ave maria!” a “pra que isso?!”. Bom… acho que desde que nós nos entendamos com nós mesmos, é o que importa! Boa corrida!

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