Paciência, persistência e condicionamento mental

O despertador tocou hoje às 4.

Não, não tinha nenhum treino ou prova madrugada adentro. Tinha um vôo para pegar bem cedo, me forçando a chegar por volta das 5 no aeroporto.

Descanso? Difícil.

Faço jornada quádrupla me dividindo entre a família, a corrida, uma editora e uma agência online. No caso da última, um projeto de monitoramento das eleições em redes sociais (além, claro, de um legítimo interesse como cidadão) me fez ficar acordado até a 1 da manhã.

3 horas de sono e aeroporto à vista para um bate-volta recheado de reuniões.

Não me entendam errado: não estou reclamando da vida. Sou doido pela minha família, amo correr e adoro os meus dois trabalhos.

Às vezes, no entanto, essas tantas maratonas (ou ultras) diárias exaurem as energias.

Eu diria inclusive que elas fazem os quilômetros percorridos em asfalto e trilhas parecerem até mais com descanso, com um tempo longe das tantas obrigações e estresses que marcam tão ferozmente o cotidiano.

E, se olharmos pelo aspecto do condicionamento mental, esse acúmulo de afazeres fora das ruas talvez seja um dos elementos mais importantes, embora o menos falado, de todo um treinamento. Aguentar 10, 12, 24 horas correndo é bem mais fácil, se é que essa palavra pode ser empregada, quando se está habituado a ralar tanto no dia a dia.

Mas, assim como acontece em qualquer ultra, há momentos em que o estresse e a estafa desanimam, nos deixando naquela dark zone desconfortável, chata, pesada. É neste ponto que estou agora, enquanto termino este post já de pé na fila de embarque.

Também como acontece em ultras, sei que basta ter uma combinação de paciência com persistência e tudo volta ao normal em uma nova onda de endorfinas que faz flutuar as marés de humor.

Estou no aguardo ansioso que a maré se encha de novo, de preferência impulsionada por uma bem vinda horinha de sono dentro do avião.

Enquanto isso, uma conclusão fica: o ritmo de treinamento de corredores amadores, pontilhada por tantas outras tarefas e obrigações no dia a dia, é no mínimo tão intenso quanto o de qualquer corredor profissional.

Hora de partir.

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