É tudo uma questão de imaginar a coisa certa

Sabe aqueles momentos em que os olhos começam a arder de cansaço, o ácido láctico começa a navalhar coxas e panturrilhas e o pensamento cisma em atravessar o percurso até um banho quente e uma xícara de café?

Pois é: acontece com todos nós, claro. A parte mais difícil de qualquer ultra não é o trecho até a chegada: é a estrada até a largada. 

Por sorte, não estamos falando aqui de uma prova qualquer, como uma maratona de rua na cidade em que moramos (e que, portanto, já se despiu de suas magias). 

Estamos falando daqueles dias incríveis em Durban; da largada na sagrada cidade de Pietermaritzburg, berço de Alan Paton e de toda a filosofia de paz do Gandhi; estamos falando da África; estamos falando da Comrades.

Basta deixar a mente voar por aquele vale dos mil morros, pelos picos de Inchanga, Bothas, Polly Shortts, pela chegada olímpica no estádio em meio ao que só podemos chamar de cadáveres eufóricos pelas suas vitórias pessoais.

Aí a navalha do ácido láctico se recolhe. Os olhos sorriem. O pensamento todo se volta para a meta real.

Aí fica bem mais fácil continuar mesmo o mais duro dos treinos.

É tudo uma questão de saber imaginar a inspiração certa.

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4 comentários sobre “É tudo uma questão de imaginar a coisa certa

  1. Como sempre, um texto totalmente instigante. Parabéns! Só não concordo com a perda de magia da maratona da própria cidade… hehehehe A do Rio continua sendo minha prova favorita, a única certeza no calendário.

    Um abraço e sucesso nesse jornada!

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