Sobre assessorias e treinos solos em um desafio como o Unogwaja

Quem me conhece sabe que eu nunca fui, exatamente, um fã de assessorias esportivas. Corrijo-me: sempre achei importante ter o tipo de acompanhamento profissional que uma assessoria costuma vender – mas, raras vezes, se é que alguma, realmente vi esse acompanhamento ser prestado, essa venda ser entregue com um mínimo de qualidade.

Não foi por outro motivo que acabei eu mesmo sempre desenvolvendo minhas próprias planilhas e treinos de corrida. A estratégia funcionava: uma vez se conhece os pontos-chave do esporte e que se aprende a entender e ouvir o corpo, tudo é uma questão de sintonizá-lo a partir de uma espécie de “planejamento de instinto”.

Com o Unogwaja, no entanto, veio a necessidade de começar um esporte novo: o ciclismo. Veio a necessidade de começar praticamente do zero a desenvolver uma resistência e um preparo de alto níveis a partir de uma base de conhecimento inexistente. Veio a necessidade de aprender a dosar treinos de bike e de corrida, para que ambos pudessem se complementar como o próprio desafio exige. E veio, claro, a necessidade de ter um lugar para treinar, um ambiente mais seguro que as ruas da capital paulista uma vez que se está literalmente montado sobre um equipamento caro e visado por ladrões.

Veio, portanto, uma assessoria esportiva especializada no esporte mais próximo que consegui do Unogwaja: triathlon. E confesso que, nos primeiros dias, ela funcionou bem: os treinadores davam dicas importantes para iniciantes como eu, o circuito na USP se encaixava nas minhas necessidades, a dosagem entre corrida e bike parecia estar bem feita. Corrijo-me neste ponto, aliás: a dosagem acabava sendo feita mais por mim mesmo, que montei uma rotina que se encaixasse tanto nos pedais quanto nos tênis.

Cheguei até a receber, mais de um mês depois de ter ingressado na assessoria, uma planilha de corrida – mas, como ela havia sido feita sem que o treinador sequer conversasse comigo para entender o meu perfil e como eu estava encarando os próximos desafios, ela foi diretamente do email para o lixo. OK, estava habituado a isso…

Mas isso está certo? Não deveria.

Cadê o treinamento especializado? Cadê o acompanhamento personalizado? Cadê o olhar preciso de alguém que, em tese, está colocando o sua experiência e conhecimento à disposição dos alunos? Em tese, tudo isso foi vendido.

No caso de bike, há uma sempre importante ponderação a ser feita: treinos demandam uma estrutura maior que no caso de corrida, o que inclui um local físico fixo para se ir nos dias de semana. E isso, pelo menos, eles conseguiram entregar. É o que me mantém como cliente.

No mais, como na corrida, desisti de esperar que a assessoria me preparasse. A partir de agora, encaro-a muito mais como uma espécie de SmartFit: o valor pago será pelo uso da sua estrutura e ponto.

E o dia-a-dia? E o preparo?

Será montado por mim mesmo de acordo com dicas valiosíssimas que estou recebendo do meu mentor no Unogwaja, o Nato Amaral, e dos meus outros companheiros do desafio.

A rotina no pedal será mais ou menos assim: USP nas madrugadas de terça e quinta; rolo, em casa, às quartas; e um longão em algum lugar diferente no sábado ou no domingo. Para estes, devo experimentar neste domingo a Route Bike, uma espécie de “serviço de longões” que inclui pedais de 80 a 150km aos finais de semana com direito a companhia de pelotão e carro de apoio. Perfeito.

Devo começar, portanto, a escalar minha quilometragem ciclística, dos atuais 120km para algo próximo dos 200km semanais. Ainda devo subir mais – preciso, eventualmente, me sentir “um só” com a bike: serão quase 1.700km em 10 dias, afinal. Mas há tempo para isso.

E a rotina das corridas? Esta se mantém quase como normalmente: terças, quartas e quintas às noites, com distâncias variadas, e um longo no sábado ou domingo.

Parece bom.

Testemos.

No final, treino para esportes de endurance é sempre isso: depende do próprio atleta e da sua inquieta disposição para experimentar seus limites.

 

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