Desafios precisam ser vestidos antes de serem vencidos

Essa é uma das coisas que o Unogwaja está me ensinando.

Quando se coloca um desafio qualquer à frente, costuma-se encará-lo apenas de maneira “tática”. Há uma ultra pelo sertão? Então que se treine no calor. Há outra nas montanhas? Então, encaremos subidas e descidas sem parar.

Mas o grande motivo de ser de um desafio, qualquer que seja ele, é nos presentear com a oportunidade de superar adversidades. E isso vai muito, muito além de qualquer questão meramente física.

Para valerem a pena, adversidades precisam ser compreendidas, entendidas, sonhadas em um nível metafísico. Seu histórico precisa ser decifrado, sua história precisa ser compartilhada, esclarecida, permeada pele adentro. Não há como resgatar qualquer senso de superação que valha sem que percebamos o quão poderosa é aquela adversidade à qual nos propomos encarar.

E essa percepção começa, invariavelmente, da compreensão do seu passado, das lendas que a cercam, dos feitos que a tangibilizaram, de tudo o que ela representa.

Do passado, chega-se ao presente. E o presente, por óbvio, é tão cansativo quanto difícil for o desafio. O presente é composto de treinos intensos, de exaustões se transformando em calos e couraças, de horas e mais horas e mais horas de dedicação à preparação. Preparação que, eventualmente, se metamorfoseia no desafio em si. Ou no meu caso, nos 1.700km que pedalarei e correrei África afora entre maio e junho. Mas para que?

Eis o outro pedaço do tempo: o futuro. De alguma forma, a participação no Unogwaja me catapultará para dentro de uma história muito maior do que eu, transformando-me em parte de um movimento que se estica desde a primeira metade do século XX até os nossos dias. De alguma forma, minha participação no Unogwaja garantirá não apenas os óbvios benefícios tangíveis das doações que estou arrecadando para as comunidades carentes africanas: ela irá além, colando cada gota de suor a um legado imenso, um legado feito muito mais de energia do que de matéria.

Passado, presente e futuro. É só quando se tem uma perspectiva, ainda que mínima, dessas três fases do tempo, que se consegue aproveitar melhor os desafios e as adversidades que, em última instância, fazem a vida em si valer a pena.

Do passado tiramos o orgulho.

Do presente, acumulamos o preparo.

Do futuro, absorvemos o incentivo.

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