Sendo Unogwaja: A guerra e as suas baixas

Não há palavra melhor para chamar a preparação para o Unogwaja que não essa: guerra.

Como em uma guerra, ela acontece em todas as frentes: na emocional, pelo fundamental envolvimento de corpo e alma com a causa; na financeira, pelos esforços de arrecadação de doações até se atingir a meta; na física, pelo treinamento inimaginavelmente árido. Nem cito aqui a frente “pessoal”: a “entrega” necessária para se conseguir estar pronto é tamanha que, invariavelmente, o Unogwaja acaba sendo uma extensão da sua própria vida pessoal.

Do meu lado, esses últimos meses já foram tão intensos que eles mais pareceram anos. Reaprendi a andar de bicicleta, escavei histórias incríveis, escrevi um livro, arrecadei quase R$ 20 mil para caridade e tenho treinado feito um louco, empurrando e descobrindo, a cada semana, os próprios limites do corpo.

Se alguém estiver pensando em se candidatar para o Unogwaja 2019, deixo aqui um alerta: a disciplina e a dedicação necessárias são além do que sequer se pode prever. Ou se está disposto a se entregar de corpo e alma ou não se deve sequer tentar.

E como é o efeito prático disso no time?

Intenso.

Até agora, três atletas já desistiram: Guin Rogers (África do Sul), Aline Carvalho (Brasil) e Greg Phare (Estados Unidos). Dois deles foram substituídos por novos Unogwajas, Liana McCloghrie, que já estava na reserva, e Ros Netto, apoiadora histórica do projeto (ambas sul-africanas). Não sei o que acontecerá com a vaga do Greg.

Em um desafio como esses – uma guerra pessoal travada com cada célula do corpo com cada espasmo de energia da mente – acredito que esse tipo de baixa seja mesmo normal: a dedicação necessária, como coloquei, é simplesmente grande demais, por vezes acima do que se imagina quando se preenche uma ficha de candidatura.

Mas, confesso, estou amando cada centímetro dessa jornada. Tudo, do autodescobrimento que ela proporciona às pessoas novas que ela apresenta, passando ainda pela possibilidade de se vencer uma adversidade tão singular quanto cruzar a África, é simplesmente inigualável.

Faltam pouco mais de três meses para a nossa largada.

Seis já ficaram para trás desde o anúncio do time selecionado.

Sigamos em frente: a causa é nobre.

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