Confiando nas pálpebras

Pálpebras, às vezes, sabotam nossos treinos.

Tenho para mim que elas agem em conluio com o corpo, articulando planos secretos para usurpar ou impor sonos, abrir ou tapar ouvidos, parir ou exorcizar ímpetos quaisquer. Pois bem: hoje, pela primeira vez desde que passei a integrar o Unogwaja, as minhas pálpebras (e suas cúmplices ocultas) ganharam.

Hoje teria 10K leves para correr de manhã cedo, logo antes de tomar um vôo para um bate-volta em Brasília (o que também me impediria de treinar à noite). Teria.

Acabei atravessando o tempo dos 10K dormindo.

Quando acordei, meio espantado com os teimosos ponteiros do relógio, fui tomado por toda uma saraivada de culpas que só quem treina conhece. Aliviei-as um pouco: eram só 10K e eu estava/ estou, afinal, esmigalhado pelo acúmulo de cansaço.

Semana difícil, essa: parece que todo um arranha-céu erguido ao longo de meses está subitamente se fazendo perceber pesado.

Semana difícil: até hoje, a mais difícil de todo o processo do Unogwaja.

Mas aí, agora, enquanto sigo no taxi até o aeroporto, resolvi mudar de raciocínio. Resolvi acreditar que as pálpebras estão a meu lado e que, se decidiram manter-se cimentadas a despeito de despertadores e hábitos, foi porque conversaram com meu corpo e entenderam a ululante necessidade disso.

Hoje, portanto, virou um day-off inesperado. Que seja tão útil quanto único.

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