O triste fechamento da Ciclovia da Marginal Pinheiros

Não vou dizer que era uma ciclovia perfeita: tinha 5 lombadas totalmente desnecessárias e um trecho grande fechado “temporariamente” para as interminavelmente atrasadas obras do governo.

Mas, ainda assim, era uma opção excelente para os pedais de domingo: 14km (ida e volta) por um circuito plano, ideal para se fazer sprints e acumular as sempre fundamentais horas de treino sem que precisássemos recorrer ao rolo, ficando trancados dentro de casa. Isso sem contar, claro, que a outra opção tradicional, a USP, fica fechada para ciclistas aos domingos, o que fazia da ciclovia a única alternativa segura para treinos de velocidade em São Paulo.

Pois é: fazia.

A partir desta semana, a CPTM começou a barrar ciclistas com bikes speed ou TT, parando ainda qualquer um que ultrapassasse a velocidade máxima de 20km/h. A alegação? “A ciclovia é feita para quem quiser se locomover de um ponto a outro da cidade, não para quem quer treinar”.

O fato de que 90% dos usuários da ciclovia eram ciclistas treinando, aparentemente, se tornou irrelevante.

O fato de – repito – simplesmente não haver outra alternativa segura dentro da cidade, ao menos aos domingos, idem.

Uma série de assessorias de triathlon e de atletas amadores está tentando conversar com a CPTM e órgãos responsáveis para chegar a algum tipo de consenso – algo mais inclusivo do que exclusivo, para dizer o mínimo. Que tenham sorte.

É incrível como o esporte é praticamente perseguido nas grandes cidades do Brasil como se fosse uma praga a ser eliminada a qualquer custo.

12 comentários em “O triste fechamento da Ciclovia da Marginal Pinheiros

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  1. Pessoal, não sou ciclista de velocidade, mas vejo com simpatia o movimento de vocês em defender o único local de treinamento na cidade. Neste momento é importante praticar o que a muitos anos não fazemos mais, lutar por nossos direitos e ideais. Vamos levantar discussões nas redes sociais, organizar movimentos com presença massiva e pacífica para que nossos propósitos sejam conhecidos por todos. Vamos pedir ajuda dos vereadores e deputados (sim, aqueles que de quatro em quatro anos vem pedir o nosso voto), quem tiver acesso, envolver os canais de comunicação. Não vamos aceitar a decisão de algum burocrata que tomou esta decisão ao seu bel prazer.

  2. Ao ler “Fechamento da ciclovia ” fiquei surpreso, porém quanto ao objetivo da mesma é claro, não tem objetivo treinamento de alto rendimento e sim o ir de vir

    1. Nisso discordamos totalmente, João. Até porque são pouquíssimas as pessoas que usam a ciclovia da Marginal como transporte – até por conta do odor do rio. O que fizeram foi excluir a maioria em favor de uma ultra minoria sem sequer dialogar ou pensar em uma solução inclusiva.

      Exemplo? Por que não liberar em horários específicos para a prática do esporte, ainda que apenas aos finais de semana quando há ciclofaixas de lazer e quando o transporte urbano, por assim dizer, diminui ainda mais?

      No final, temos uma ciclovia de 7km que era usada por centenas ou milhares de ciclistas mas que, agora, servirá apenas para uma meia dúzia.

  3. sou da região leste de sampa, sempre tive vontade de seguir no pedal até a ciclo e conhecer, mas o que me impedia, são os constantes relatos de roubos e algumas discussões comentadas entre, ciclistas tradicionais e atletas. Minha visão: não vejo um problema do pessoal que treina, pois é também o direito de que TODOS usem a ciclovia, inclusive a galera que apenas quer pedalar pra tirar suas fotos, fazer videos e publicar na internet. Cabe aqui, o pessoal que usa profissionalmente se organizar, pois a medida adotada pela CPTM dá a entender que existe uma rixa desnecessária entre ciclistas e atletas, e não podemos passar essa imagem

  4. Lamentável, o Brasil andando na contramão, é mais fácil penalizar uma maioria do que dar uma solução satisfatória para a população no sentido de termos locais seguros, qua atualmente está ciclovia não fornece, diante de constantes assaltos de bicicletas de usuários que acessam pela Ponte João Dias a falta de segurança é visível. A CPTM tem segurança motorizada somente depois da estação Jurubatuba com a finalidade de não invadirem o antigo aterro sanitário. Nossa cidade precisando de investimento em mobilidade urbana e os atletas não tem local apropriado para os treinos e serão obrigados a invadirem as rodovias e marginais.

  5. Uma ciclovia com poucos acessos, que não era uma alternativa boa pra locomoção na cidade, eu mesmo tinha que desviar 5 kms do meu trajeto pra usar ela, desisti de usar. Pro pessoal de interlagos era até boa, mas com o fechamento de um lado e os assaltantes do outro ficou complicado. A única utilização descente desse elefante branco eram os treinos, agora nem isso. Milhões de reais que poderiam ser investidos em locais com grande fluxo de bikes agora vão ficar ali, juntando pó. Esse desgoverno é foda.

    1. Se não mudarem de ideia, já já a ciclovia vira mais uma ruína. Nesse caso, uma ruína propositalmente construída pela falta de disposição de diálogo e entendimento do próprio poder público.

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