BR135: o fim da fase de pico do treinamento

Pois é: estamos, hoje, a exatos 12 dias da largada.

Isso significa também que a fase mais dura do treinamento já ficou para trás e que agora estou entrando no polimento. Um polimento de ultra grande, com 80km a serem corridos até o domingo… mas ainda assim um hiper bem-vindo polimento.

Nas últimas semanas, me senti treinando no limite da lesão:

Nunca, antes, havia feito 150km em uma semana de treino. É um volume tenso, um volume que toma tempo e devora nacos grandes não apenas de finais de semana, mas também de dias úteis. É só olhar na imagem acima: a semana de 17-23 teve praticamente uma maratona corrida na segunda e outra no sábado, com mais dois longos consideráveis e sequenciais na quarta e na quinta.

Isso vindo já de 100km na semana anterior e com o prospecto de 100km na seguinte. Cansativo? É óbvio. Mas, embora isso tudo soe como uma série de lamentações inúteis, foi também um período de grande aprendizado, um período no qual o preparo efetivo acabou se consolidando.

No sábado da semana de pico, por exemplo, ao invés de puramente exausto, a mensagem que meu corpo me passou foi de que ele estava adaptado, encaixado. De certa maneira, foi como ele tivesse buscado ultras grandes do passado na memória muscular e dito para mim que havia entendido o jogo, que estava pronto para o que viesse.

O mesmo se repetiu na semana seguinte inteira, mesmo considerando que fechei os últimos 100km em plena Ilha de Itaparica, no litoral baiano, com direito a um calor grande o suficiente para derreter um pedaço da sola do meu tênis.

O resultado desse período, portanto, foi muito além de um mero treinamento físico, ainda que puxado e hiper intenso. Pela primeira vez desde que comecei os treinos para a BR135 estou realmente me sentindo pronto, preparado, confiante. E confiança em uma prova desse tamanho, acredite, é absolutamente essencial.

E agora? Agora é finalizar o polimento, manter as pernas aquecidas mas descansadas e torcer para que todo o treino se pague lá na Serra da Mantiqueira. Provas longas como a BR135, afinal, são sempre uma aposta: há tanto imprevisto que pode acontecer em seus 220km que o melhor que se pode fazer, além de treinar, é se manter permanentemente atento, como que esperando o inesperado e confiando na qualidade das três principais ferramentas de qualquer ultramaratonista: força física, persistência mental e capacidade de reação.

Se tudo isso estiver em ordem no dia 17, cruzarei a linha de chegada provavelmente em algum momento do dia 19.

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