De peixe a siri

Não nado em academia. Como tenho piscina no prédio, acabo fazendo todos os meus treinos por lá mesmo, sem pagar nada a ninguém e apenas seguindo a planilha que meu treinador me manda.

Confesso que não é a planilha mais científica do mundo: ela tem, por exemplo, séries e mais séries de treinos educativos/ corretivos sem que ninguém da assessoria jamais tenha me visto nadar (e, portanto, atestado o que exatamente eu precise corrigir). Mas tudo bem: os anos de experiência em ultra já me ensinaram que o treinador é sempre tão responsável pelo plano de treino quanto o próprio atleta, que precisa ser safo ao auto-analisar suas falhas e caçar soluções onde quer que elas estejam.

Isso é relativamente fácil no ciclismo: pedaladas em pelotões e entre amigos sempre permitem que aprendamos com eles. Também é fácil na corrida, esporte em que eu tenho experiência já o suficiente para detectar falhas na biomecânica sozinho.

Mas e na natação? Como detectar falhas sozinho, em um ambiente hostil como a água, sem nenhum observador? Simples: arrumando um observador.

E, ontem, fiz o meu primeiro treino acompanhado de um amigo/ vizinho já MUITO mais experiente que eu. Já deu para ver a diferença, aliás, quando largamos juntos para a primeira braçada: eu, que me via nadando com a fluidez de um peixe, de repente me senti um siri torto apenas observando- cortar a lâmina da água com uma mescla de calma e velocidade incríveis.

Nem precisei pedir dicas: poucas braçadas depois ele já estava apontando alguns pontos mais críticos meus. Respiração para o lado esquerdo lenta demais, fora de sincronia; pernas afundando e criando um arrasto desnecessário; braços tensos demais e prolongando-se pouco na superfície da água, cansando em excesso e matando um potencial maior de velocidade.

Isso tudo em menos de 50 minutos de treino.

E agora? O que fazer?

Com noção do problema, sempre fica muito mais fácil trabalhar na solução. É para isso que serve a Internet, inclusive.

Há toda uma infinidade de exemplos de treinos educativos para se trabalhar posição das pernas, prolongamento dos braços e respiração – todos me aguardando lá no Youtube, em canais que já confio bastante.

O que fazer agora, portanto? Treinar de uma maneira mais dirigida, correta, coerente.

(E, claro, contar com a boa vontade do Beto, meu vizinho/ amigo, em apontar mais problemas que me façam mudar de estilo e me transformar de siri em peixe.)

2 comentários em “De peixe a siri

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