Triday: a primeira prova de triathlon

Prova é prova.

A distância pode ser a mesma que a de um treino, o percurso pode ser o mesmo, o clima até pode estar mais ameno – mas, por algum motivo qualquer, o coração palpita de uma maneira diferente.

Principalmente nesse caso. Foi a minha primeira prova de triathlon, um olímpico incluindo 1.500m de natação, 40km de bike e 10km de corrida.

‘All systems go’

O nervosismo, acho, começa quando primeiro entramos na área de transição. Tudo lá era desconhecido para mim, incluindo o que deveria fazer e para onde deveria ir.

Checagens burocráticas de adesivos e números de peito no bike-checkin, localização do meu “espaço”, armazenamento da bike, coleta de touca e chip, saída até a hora da natação. Tudo pronto.

Natação

Antes de tudo isso começar eu costumava acreditar que a natação seria a modalidade mais fácil de todas. Cresci no mar de Salvador, afinal, e por muito tempo nutri o hábito de nadar aos finais de tarde entre os dois fortes do Porto da Barra.

Depois, tomei um banho de realidade.

Ainda não me habituei tanto a “viver” dentro da apertadíssima roupa de borracha e nem a seguir a óbvia linha reta até as bóias que sinalizam os pontos de contorno do percurso. Nadar é diferente de pedalar ou correr: você passa a maior parte do tempo olhando para baixo ou para os lados e não para o ponto de destino.

Mas nadei, desviando de algumas pernadas alheias e de encontrões desajeitados com outros triatletas, fazendo um tempo que, se não foi digno de orgulho, também não foi de se lamentar.

Nadei meio desengonçado na primeira parte do percurso, meio que aquecendo os braços, e comecei a me sentir à vontade mesmo apenas quando estava perto de chegar.

A velocidade da transição

Aí a velocidade realmente começou. Saí correndo da água, tirando a roupa de borracha enquanto me dirigia à transição. Arranquei touca e óculos. Calcei a sapatilha. Coloquei capacete e óculos. Tirei a bike do rack. Corri com ela até a área de montagem. E de repente…

Na bike

De repente, ainda pensando na natação, me surpreendi com o fato de que ela não apenas havia terminado como eu já estava pedalando em ritmo firme.

Fiz o percurso que estava já habituado, zunindo pelas retas com as leves descidas e subidas do Riacho Grande e me sentindo mais à vontade.

Respirei mais fundo, mais livre, mais estufado. Me senti com tempo para aproveitar. Senti a musculatura ir se adaptando lentamente à nova modalidade, largando as dores para trás a cada giro do pedal.

Fui ultrapassado por muitos, no entanto.

Desviei de um acidente feio causado por um staff excessivamente empolgado em oferecer água para os ciclistas (e que acabou, assim, se esbarrando e desequilibrando uma atleta que acabou praticamente mergulhando no asfalto). Até onde consegui descobrir, nada de grave aconteceu – ainda bem.

Fiz o meu vai-e-volta e vai-e-volta e vai-e-volta até completar os 40km. Como na natação, diga-se de passagem, eles terminaram quando eu começava a me sentir mais solto, mais à vontade.

E tudo de novo…

Aí veio e percepção de corrida real: a segunda transição. Correr com a bike até o rack. Posicioná-la no apertado espaço que sobrou. Tirar capacete e óculos. Trocar sapatilha por tênis. Voar de volta pelo tapete até a rua.

10km de corrida

E, finalmente, estava na minha maior zona de conforto: a corrida.

Foram duas voltas de 5km (com um cotovelo esquisito no caminho) onde eu praticamente deslizei, mantendo um pace confortavelmente alto e com direito a split negativo e sorriso do começo ao fim.

Por que?

Porque estava terminando, ali, meu primeiro triathlon oficial. Porque havia já nadado nas águas turvas da represa de Billings, voado no pedal e corrido pelo asfalto margeado por todo aquele verde que embeleza a região do Riacho.

Até cruzar a linha de chegada – com a mesma sensação de que havia energia sobrando ainda.

Valeu a pena?

E como! Não vou dizer que fiz um tempão incrível, digno de um profissional – mas, para a minha primeira prova, foi uma experiência incrível. Uma experiência que me ensinou que, nesse esporte:

  • A natação pode não fazer tanta diferença para o resultado, mas tem um impacto mental desproporcionalmente grande.
  • A sensação de corrida não está nem na natação, nem no ciclismo e nem na corrida: está nas transições. É nelas que você mais percebe o tempo passar, enquanto voa para trocar de esporte e seguir com a sua prova.
  • Atletas de ultra são atletas de ultra em qualquer que seja a modalidade. Tudo bem que escolhi a modalidade olímpica, mais tradicional, para começar, porque isso facilitaria me aprendizado e entendimento da dinâmica de prova – mas eu definitivamente me sinto mais confortável em distâncias maiores. É até esquisito cruzar uma linha de chegada sem a sensação de que o universo está prestes a colapsar sob os nossos pés.

Um à parte importante aqui: para quem estiver começando, esse circuito do Triday realmente é perfeito. A organização é tão impecável quanto a vontade da equipe de ajudar quem nitidamente carece de experiência.

E agora?

Agora é hora de dar uma pequena guinada no treino e equilibrar, de alguma forma, a manutenção das técnicas e habilidades de nado e ciclismo com a preparação para a Comrades, que já está logo ali na esquina.

Dia 7 tem Maratona de São Paulo e dos meses depois, a rainha das ultras lá na África.

Feito isso, nova guinada: é foco total no 70.3 de Maceió, no começo de agosto, onde me aventurarei em distâncias que começam a ter mais a ver comigo: 1.900m de natação, 90km de bike e 21km de corrida.

É o caminho para o Ironman completo, cuja data ainda está por ser estipulada, sendo pavimentado aos poucos…

3 comentários em “Triday: a primeira prova de triathlon

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  1. Parabéns pela prova Ricardo!
    Me diz uma coisa, vi que vc tem uma Specialized Shiv Elite. Estou começando no triatlo e estou pesquisando bikes. O que vc está achando dessa bike? Vale a pena? Tenho um certo receio em comprar usadas e esta é uma opção das não tão caras.

    1. Oi Carlos! Eu amo essa bike: ela é leve, rápida e tem um groove bacana. A única coisa q não gosto dela é o compartimento de água embutido no quadro – mas, até aí, basta parafusar e não usar. Boa sorte!

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