Dentro de um vídeo-game

Chove tanto em São Paulo nesses últimos dias que cheguei a me perguntar se algum novo mar acabaria eventualmente se formando e alterando a geografia inteira do continente para nos presentear com uma praia no futuro próximo.

Se é isso que vai acontecer eu não sei – mas sei que, até lá, sair para pedalar nas madrugadas tem sido algo fora de cogitação. E o que fazer quando se tem treinos programados para o pedal e nenhuma condição de sair deslizando pelas ruas?

Rolo.

Para quem não sabe, um rolo é uma espécie de treco no qual se prende a bike e se pedala parado, em casa, mais ou menos da mesma maneira que se utiliza uma esteira para correr. Simples, não?

Simples, mas com os mesmos perrengues básicos de uma esteira: é absolutamente insuportável pedalar, pedalar, pedalar e não sair do lugar.

Oi, tecnologia

Mas aí… aí a tecnologia entra para salvar as nossas pobres almas modernóides. Porque pedalar olhando para a janela pode ser um saco – mas pedalar por uma Londres simulada em 3D com um realismo insano e em companhia de centenas de milhares de ciclistas é outra coisa.

Eis o Zwift, um ecossistema virtual de ciclismo que transforma a chatice de um pedal no rolo em um vídeo-game movido a suor e endorfina. Seu funcionamento é bem simples: um conjunto de sensores na bike e no rolo transmite informações como potência, cadência e velocidade para o computador que, por sua vez, traduz isso em uma simulação de pedalada com graus de realismo alucinantes. Tem uma subida no caminho? O próprio rolo aumenta a resistência de acordo com o grau de inclinação do sistema para que sintamos o mesmo. Há uma descida? Basta aliviar a força no pedal e constatar a velocidade crescente na tela.

É daí para mais: competições de sprint entre ciclistas, títulos de reis e rainhas das montanhas e mundos virtuais inteiros que vão se “destrancando” na medida em que se acumula quilometragens rodadas levam pitadas de micro-desafios ao que seria um interminável tédio.

Antigamente, a magia dos vídeo-games era transportar as nossas mentes para mundos de fantasia; hoje, a magia está toda em copiar com fidelidade máxima a realidade justamente para que não precisemos depender do tempo ou do espaço.

O Tour de Zwift

E, se dá para copiar a realidade, dá também para criar eventos mais… divertidos. Certos? Pois é: é justamente aqui que entra a maravilha dos vídeo-games.

O Zwift tem um evento próprio inspirado nos grandes do ciclismo (como o Tour de France ou a Vuelta da España): o Tour de Zwift. São etapas distribuídas semanalmente pelos seus diferentes “mundos”: Londres, Richmond, Nova York, Innsbruck e Watopia, este último o único ambiente de faz-de-conta, em que mais de 100 mil ciclistas dos quatro cantos competem entre si.

Há como se conversar uns com os outros, como somar pontos para destrancar benefícios (como novos modelos de bike virtual, por exemplo) e, principalmente, como se desbravar rotas indisponíveis no uso convencional da plataforma.

Há um nome para isso: gamificação. Cria-se um conjunto de pequenos desafios que geram pequenas recompensas com tamanha cadência que, de repente, o usuário se vê viciado.

Como eu.

Chove em Sampa? Honestamente, foi-se o tempo eu que eu me chateava com isso.

Neste exato momento, aliás, há uma versão menor do Tour de Zwift em curso: o Tour de Watopia (que acontece apenas em um dos seus mundos). Já me desidratei de tanto suar na primeira etapa, semana passada, e agora a segunda foi destrancada.

Quer saber? Nem que estivesse fazendo sol eu deixaria o rolo ao menos em um dos dias da semana.

Estou curioso para saber a rota desta segunda etapa, que inclui pedalar em um circuito dentro de um vulcão, e de ver até onde conseguirei manter meus níveis de potência. Curioso e ansioso.

É, eu sei: meio esquisito isso, principalmente para quem curte tanto esportes outdoor.

Mas pelo menos estarei fazendo exercício enquanto “jogo”, né? Melhor que uma partida convencional no Playstation ou no XBox 🙂

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