Não é overtraining; é overtasking

Volta e meia, principalmente quando estou às vésperas de alguma grande prova, sou assombrado pelo fantasma do overtraining. Exausto pelo acúmulo de atividades de longa duração, o corpo responde com sonos ancestrais, desmotivação generalizada e um tipo de fraqueza que chega a perambular pelos corredores de doenças bestas como gripes ou febres de menor intensidade.

Estou até acostumado a isso e, no momento em que os volumes de corrida crescem por conta da Comrades ao mesmo tempo em que os de natação e pedal não desaparecem por conta das provas de Ironman que tenho logo em seguida, já imaginava ser visitado por esse velho fantasma tão conhecido por quem pratica esportes de ultra-endurance.

Mas não foi ele que bateu à minha porta esses dias: foi um primo ou irmão menos conhecido, o overtasking.

Porque, nesse momento, não estou nem destroçado fisicamente e nem com nenhum dos sintomas mais típicos do overtraining. Mas acordar meia hora mais cedo para conseguir nadar antes de pegar um vôo para alguma reunião, por outro lado, se tornou impensável.

A rotina por esses tempos está puxada: viagens a trabalho da minha mulher tem exigido um pouco mais de mim em casa, cuidando das crianças; o início das aulas da minha filha mais nova criou uma nova rotina que inclui sair cedo para deixá-la na porta da escola; o período de meio de ano – principalmente em um ano ainda atribulado como esse – tem exigido que eu me multiplique para conseguir conduzir duas empresas ao mesmo tempo.

E ainda há a Comrades. E o triathlon. Cada um exigindo volumes de dedicação que beiram o cômico.

Como disse, não sinto, ao menos ainda, nenhum sintoma concreto do overtraining. Estou inteiro e, nem sei como, hiper motivado para todo e qualquer treino. Mas tenho ficado, sim, meio desnorteado ou mesmo tonto com a quantidade de responsabilidades, de todos os lados, que têm chovido aqui por essas hortas.

Por enquanto não há muito o que fazer a não ser seguir adiante, com um passo à frente do outro, encarando a vida e seus desafios. Mas não dá para deixar de desejar, ainda que talvez ingenuamente, um pouco mais de calmaria nessas tarefas todas que redefiniram o conceito de rotina para mim.

Seria tão bom…

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