O futuro do Unogwaja

Quando, no final do ano passado, a organização do Unogwaja soltou um comunicado cancelando a jornada de 2019, toda a comunidade em torno do projeto ficou invariavelmente preocupada.

O que teria acontecido para que esse evento tão incrível, que proporciona tanta transformação tanto para os atletas envolvidos quanto para os apoios e, principalmente, para a comunidade carente que se beneficia das doações arrecadadas, ter a sua largada anual interrompida? E, principalmente, o que isso significaria para o futuro?

Sobre o Unogwaja

Antes, para quem não conhece, vale uma contextualização: o Unogwaja é um evento anual que, desde 2011, reune grupos de 8 a 12 atletas que cruzam a África do Sul, de Cape Town a Pietermaritzburg, em 10 dias, para correr a Comrades no dia 11. E há, desde então, dois diferentes percursos envolvidos: o geográfico e o efetivo.

O caminho geográfico é uma bênção para todos os atletas. Cruzar um país como a África do Sul, passando pelos tantos contrastes físicos e sociais que ela apresenta em suas deslumbrantes paisagens – e ainda acompanhado por atletas dos quatro cantos do mundo – é praticamente indescritível. É um caminho que mescla história, propósito, força de vontade e muitos dos melhores ingredientes que a humanidade já produziu.

O percurso efetivo não fica para trás – é o motivo da jornada em si. Todos os atletas envolvidos têm sempre um objetivo de arrecadação de doações que são destinadas para ações de educação em comunidades carentes na África. Ou seja: enquanto transformam as suas próprias vidas, os Unogwajas ajudam a transformar também as vidas de milhares de pessoas do continente mais miserável do globo.

Quer saber mais sobre o Unogwaja? Veja este vídeo abaixo e/ ou compre este livro aqui, que escrevi sobre a história do desafio que tive a honra e a oportunidade e participar em 2018.

O que aconteceu com a jornada de 2019?

Há um momento na vida de qualquer organização, filantrópica ou não, que sua estrutura em si acaba entrando em cheque.

De 2011 até 2018, o Unogwaja funcionou como uma espécie de “empresa” familiar, tocada pelo seu fundador e por alguns voluntários entusiasmados. E, inegavelmente, funcionou: as arrecadações acumuladas se somam em 7 dígitos e a participação de todos, da comunidade aos patrocinadores, é nítida.

Mas – e isso ficou claro em 2018 – havia a necessidade de profissionalizar a gestão como um todo de um projeto que, àquela altura, já estava nitidamente maior que a própria visão do seu fundador.

O projeto como um todo, portanto, passou por uma transformação imensa. E transformações costumam doer, acirrar ânimos, gerar conflitos, transtornar. Não entrarei em detalhes aqui mas, em grande parte, foram esses conflitos que acabaram atrapalhando (e inviabilizando) o desafio de 2019.

Há males que vem para o bem (ainda bem)

Imediatamente após o anúncio do cancelamento da jornada de 2019, muitos dos envolvidos em edições passadas decidiram arregaçar as mangas e organizar a casa, garantindo que o desafio ressurgisse com a força esperada de algo desse porte.

Foram meses de batalhas, negociações, acordos novos e estruturações de formatos. Meses, portanto, dedicados a garantir essa que essa transformação tão necessária fizesse o salto definitivo da teoria para a prática.

E o resultado, enfim, parece estar acontecendo.

A primeira e mais importante de todas as mudanças foi a profissionalização da gestão social. Ontem, 29 de maio, a organização anunciou que todo o lado social do Unogwaja foi incorporado e será administrado pela Community Chest, instituição filantrópica oficial da Comrades. Será, portanto, uma entidade com imensa experiência e capilaridade que passará a gerir diretamente a que provavelmente é a mais importante das frentes do Unogwaja.

A (óbvia) proximidade com a Comrades também significa uma mudança no próprio quadro profissional e na comunicação. O Unogwaja terá estande (e, portanto, presença oficial) na expo da Comrades 2019 (onde tirará dúvidas de interessados e começará a captar inscrições para a seletiva de 2020) e revenderá, e maneira mais profissional, as lendárias meias vermelhas (responsáveis por boa parte do dinheiro captado).

Na sexta, 7 de junho, haverá ainda uma corrida treino para a Comrades pela costa de Durban. Se for correr a Comrades, não deixe e participar – clique aqui para saber mais detalhes.

Finalmente, deve ainda haver ainda um rearranjo importante de patrocinadores e apoiadores, que ainda será divulgado.

Unogwaja 2020

O resultado de tudo isso é que, muito provavelmente, a edição de 2020 do Unogwaja não apenas acontecerá, como também marcará um capítulo inteiramente novo para o desafio.

Fantástico.

O Unogwaja, afinal, é transformador demais para simplesmente acabar.

(Aliás, recomendo a qualquer um que estiver buscando uma experiência física e emocional capaz de mudar radicalmente a própria vida, que se inscreva para a seletiva de 2020.)

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