Polimento não funciona

Sábado tem Ohana Kahi. 2.500, de natação, 104km de ciclismo e 25km de corrida pelos arredores de Ubatuba, no litoral norte de São Paulo.

Polimento até lá? Só se for um bem curto.

Sábado passado teve 75km pedal pela serra de Salesópolis acompanhado de 8km de corrida; hoje abriu com 2.600m de natação e fechará com 16km de corrida; e o restante da semana já tem toda uma programação estruturada.

Sim, é verdade que a sexta será de descanso total… e me parece que será esse o único dia de polimento.

Mais dias são necessários? Foi-se o tempo em que eu realmente acreditava que todas aquelas teorias de treinamento esportivo deveriam ser levadas a ferro e fogo.

Sempre, aliás, que eu me imergi em polimentos de duas semanas, eu largava com a musculatura rija demais, como se estivesse enferrujado. Fui, aos poucos, eliminando dias da fase de polimento até praticamente eliminar a fase inteira.

Por que polimento não funciona?

Faça como um: esqueça tudo o que já te disseram sobre polimento. Foque-se, a princípio, em apenas uma coisa: a sua própria experiência.

Já fez polimentos para provas longas? Sentiu todas aquelas coisas estranhas como dores fantasmas, mau humor etc.? Então sabe de uma coisa? Pode ser que esse negócio de diminuir brutalmente a carga de exercício justamente às vésperas de uma prova realmente não seja a melhor das ideias. O corpo da gente, aprendi, deve ser ouvido com muito mais atenção do que qualquer treinador.

Dito isso, há algumas evidências importantes.

Uma delas vem do TrainingPeaks, uma das ferramentas mais sensacionais de treinamento que gera métricas quase perfeitas sobre fadiga, forma e fitness geral (veja mais detalhes aqui).

O gráfico abaixo é o meu condicionamento geral nos últimos 90 dias e nos próximos dois dias:

Gráfico do TrainingPeaks

De maneira geral, o principal indicador que aponta as condições de prova é a forma (linha amarela do gráfico, resultado da subtação do fitness pela fadiga). Idealmente, de acordo com alguns estudos, a forma pre-prova deve chegar entre os +15 e +25. Menos do que isso, você corre o risco de largar cansado; mais, você corre o risco de largar “enferrujado”, com a musculatura dura demais para enfrentar qualquer prova.

O que há de interessante no gráfico é a forma cresce rapidamente logo que você começa a cortar treinos. Ou seja: não é necessário despencar o seu volume por semanas a fio para chegar preparado à largada. No exemplo acima, bastaria pouco mais de dois dias para eu ficar em condições perfeitas. Mais do que isso, consequentemente, faria mais mal do que bem – como já comprovei na prática, empiricamente, ao longo dos anos.

Não por coincidência, meus melhores resultados vieram justamente depois de fases de polimento minúsculas, tão minúsculas que sequer consigo chamá-las de “polimento”, mas sim de um “descanso pre-prova”.

Claro: sei que essas conclusões e mesmo esse gráfico refere-se única e exclusivamente a mim. O maior erro que eu poderia cometer seria generalizar uma conclusão justamente em um raciocínio contra generalizações. Ainda assim, sou capaz de apostar que polimentos tradicionais sejam mais danosos que benéficos para a grande maioria dos atletas que se submetem a eles por puro dogmatismo de seus treinadores.

O outro dado que falta para completar o raciocínio

Ainda preciso ir atrás de outra fonte de informação sobre essa fase, a variabilidade de batimento cardíaco (HRV). Esta, no entanto, está dependendo ainda do Whoop – que comprei há poucas semanas – chegar às minhas mãos.

Se tudo der certo, isso acontecerá amanhã. E aí conseguirei completar esse raciocínio na minha próxima prova, o IM 70.3 de São Paulo.

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