Ironman 70.3 SP

Como foi nadar, pedalar e correr 113km por São Paulo?

Não foi meu primeiro e nem meu mais longo triathlon, mas foi tão inesquecível quanto ambos.

Por mais que goste de um espírito mais raiz, sem excessos organizacionais e com perfis de prova mais simples, a energia trazida pelo “M” vermelho do Ironman é de uma força que custei a acreditar.

Nadar na raia

Custei, mas uma vez imerso na adrenalina da marca, parecia perdido em tanta felicidade. Tanta, aliás, que acabei esquecendo de pegar o chip quando fiz o check-in (algo prontamente resolvido pela organização minutos antes da largada) e, na primeira transição (da natação para o pedal) tive um branco que me fez perder quase 10 minutos atrás do rack onde minha bike me aguardava. Ainda bem que não estava atrás de nenhum índice ou certamente teria me comido de tanta raiva!

Sim, a raia olímpica da USP não é o lugar mais cristalino do mundo e costuma ser povoado de capivaras bem pouco higiênicas. Ignoremos isso.

Foquemo-nos na experiência em si: maravilhosa.

Primeiro, pelo modelo de largada, em formato de rolling start em que 8 nadadores partem a cada 8 segundos. Há outra maneira de liberar um cardume de 1.500 pessoas em um lago pequeno e estreito? Não – e esse modelo se provou impecável.

Braçada a braçada, praticamente sem nenhum choque significativo com outros nadadores, fui seguindo indicações, contornando bóias e cortando a lâmina ocre da água no amanhecer paulistano até a chegada.

Em silêncio, como deve ser qualquer início de prova. Com uma velocidade que nem eu mesmo acreditava. Com uma tranquilidade confiante, gostosa, perfeita.

Quando cheguei ao final estava tão inteiro que poderia facilmente voltar e repetir todo o percurso. Não há melhor maneira para se terminar essa primeira parte de um triathlon.

Da água para o ar

Minutos depois estava já devidamente montado na bike e suando watts pernas afora pela Marginal Pinheiros.

Outra experiência fantástica: toda aquela avenidona, meio rua, meio estrada, exclusiva para nós, ciclistas. Sem carros. Sem motos. Sem pedestres.

Tudo feito para voarmos alto cortando os céus baixos da metrópole, subindo e descendo a Ponte Estaiada, fazendo força para acreditar na velocidade que aquele tapete de asfalto permitia que atingíssemos com nossos pedais.

As pouco mais de duas horas foram tão intensas que, mesmo cansado na chegada de volta à USP, o processo de transição para a corrida foi quase nostálgico.

Do ar para a terra

Quando vi o mapa do percurso de corrida pela primeira vez fiquei entediado: três voltas de 7km pela mesma reta, algo que costuma chatear qualquer um.

O que não imaginava era que isso possibilitaria uma aglomeração de torcida digna das Majors – algo que nunca havia visto por aqui pelo Brasil.

Correr na USP foi como atravessar intermináveis corredores poloneses de torcida com direito a ouvir seu nome ser gritado, sinos serem tocados e empolgações puríssimas serem transmitidas pelo ar.

No meu caso, aliás, mais ainda: pela primeira vez minha família estava no percurso para me ver correr, um tipo de emoção quase inspiradora e responsável por acelerar o pace a níveis recorde.

Até que acabou…

Com uma linha de chegada intensa.

Com facadas de cansaço no estômago que só me lembrei de sentir nos segundos finais.

Com uma energia inédita.

Com uma felicidade absolutamente intensa.

Já falei aqui antes que triathlon é um esporte perfeito para quem gosta de endurance: ele soma, afinal, três modalidades de resistência em uma quarta, unindo o fogo interno de qualquer atleta a cada um dos outros quatro elementos da vida: a água, o ar, a terra.

Mas passar por isso em meio à magia do Ironman, seja full ou meio, é inesquecível.

A primeira coisa que estala no pensamento depois da linha de chegada? Aquela vontade crítica de se inscrever na próxima prova longa que aparecer.

Há forma melhor de se terminar um desafio?

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